domingo, 25 de março de 2007

Minha experiência Buarqueana

Sempre ouvi dizer que Chico Buarque era um gênio. Mas não tinha jeito, suas músicas não entravam em minha vida. Aquela voz cansada, pequena, um tanto roca, com intensa nasalização (quase fanho RS!), - Não descia!

Quando alguém me falava que era fã do Chico, enfaticamente eu dizia: - Ninguém é perfeito!
Confesso que existia um certo preconceito de minha parte. Por não suportar o Chico cantor, demorei muito tempo pra conhecer o Buarque Escritor.
Um mestre com as palavras, “uma cicatriz risonha e corrosiva...” Conhecendo sua obra e história, descobri uma personalidade extraordinária capaz das mais incríveis criações literárias como: Bolero Blues, João e Maria, Valsa Brasileira, A história de Lili Braun, entre outras.
Seus poemas por si só entoam uma perfeita harmonia. Cada palavra e verso, cada ponto e vírgula, estão no seu devido lugar, formando um universo de ritmo que nunca encontrara em lugar algum.
Aos poucos deixei o preconceito musical de lado. Percebi que Chico nunca foi um cantor realmente e sim a poesia viva. Ele está muito além de sua voz pequena e conceitos pré-estabelecidos. Chico está acima disso.
Sua obra não deve ser cantada de outra forma. A perfeita combinação sempre esteve lá: melodia certa, na voz certa, para a letra certa. Algumas vezes essa combinação nasceu da parceria com outros gênios como: Vinícius, Pablo Milanés, Edu Lobo e Sivuca.
Aprofundando o conhecimento à obra buarqueana, fica provado que quem o conhece não deixa de reconhecê-lo.

“Quem te viu Quem te ver...”

Se me perguntam, hoje, se gosto de Chico Buarque, enfaticamente respondo: - Chico é perfeito!


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(Texto de André Alves de lima)
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Lista De Preferências

Alegrias, as desmedidas.
Dores, as não curtidas.
Casos, os inconcebíveis.
Conselhos, os inexequíveis.
Meninas, as veras.
Mulheres, insinceras.
Orgasmos, os múltiplos.
Ódios, os mútuos.
Domicílios, os passageiros.
Adeuses, os bem ligeiros.
Artes, as não rentáveis.
Professores, os enterráveis.
Prazeres, os transparentes.
Projetos, os contingentes.
Inimigos, os delicados.
Amigos, os estouvados.
Cores, o rubro.
Meses, outubro.
Elementos, os fogos.
Divindades, o logos.
Vidas, as espontâneas.
Mortes, as instantâneas.
(Bertold Brecht)

terça-feira, 20 de março de 2007

Quatro anos de invasão

Hoje, 20 de março de 2007.
Há quatro anos que os EUA invadiram o Iraque.
Where they are the weapons???
Eu te Chamo Liberdade

Pelos dentes apertados
Pela raiva contida
Pelo nó na garganta
Pelas bocas que não cantam
Pelo beijo clandestino
Pelo verso censurado
Pelo jovem exilado
Pelos nomes proibidos
Eu te chamo liberdade.

Pelas terras invadidas
Pelos povos conquistados
Pela gente submetida
Pelos homens explorados
Pelos mortos na fogueira
Pelo justo injustiçado
Pelo herói assassinado
Pelos fogos apagados
Eu te chamo leberdade


(Paul Elovard / Gian Franco Pagliaro)

quarta-feira, 14 de março de 2007

Curtindo a Vida Adoidado

O filme é sensacional, mesmo quando visto pela vigésima oitava vez, como é o meu caso. Não ganhou Oscar mas, na verdade, essa comédia tipicamente anos 80 alcançou um prêmio muito mais importante do que uma mera estatueta. Alcançou a eternidade e criou um mito: Ferris Bueller.
Mas o que representa Ferris Bueller para a humanidade? O que tem de importante um garoto de 17 anos que se finge de doente para matar aula e aproveitar um dia de sol com sua namorada Sloane e seu melhor amigo Cameron? Primeiro de tudo, Ferris não é um mau exemplo. Ele não é um ícone da insubordinação juvenil, como uma primeira análise pode revelar. Ferris já está no último ano do colegial, provavelmente nunca repetiu. Além disso, ele não incentiva ninguém a abandonar a escola e ficar vadiando sem se preocupar com nada. Sua proposta é uma só: "A vida passa muito rápido. E se você não parar de vez em quando para vivê-la, vai perceber que ela já passou".
Ou seja, Ferris nos ensina a aproveitar a vida em nosso próprio benefício. Suas ausências escolares não o atrapalharam em nada, só o ajudaram a curtir a vida adoidado. No próximo verão ele estará na Faculdade, do lado daquele mesmo sujeito que não fingiu estar doente para matar aula. Eles estarão ali, no mesmo lugar, com os mesmos objetivos alcançados. Só que um deles terá curtido mais a vida e estará mais feliz.
Mas o maior exemplo do caráter de Ferris Bueller é sua atitude para com seu amigo Cameron. Ferris poderia ter aproveitado seu dia só com a namorada Sloane, sem ter que agüentar as paranóias de Cameron. Tudo bem, se ele não fosse não tinha Ferrari. Mas se o interesse era só o carro do amigo, por que Ferris se preocuparia tanto em fazer Cameron se divertir? Por que Ferris se ofereceria para assumir a culpa pelo estrago do carro no lugar do amigo? Por que Ferris trocaria a privacidade de estar só com sua namorada para dividir sua alegria com Cameron, seu amigo, digamos, meio lerdo?
Por essa e por outras, Ferris Bueller virou uma espécie de herói para aqueles que o assistiram.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Double Talkin' Jive!

Em meio a visita tão esperada do Presidente George Bush, ao Brasil, resolvi escrever algumas linhas sobre esta ilustre personalidade, que veio ao Brasil pra participar do Fórum Bicombustível.

O Brasil há muito tempo se destaca na produção do álcool etanol, para combustível alternativo a gasolina. Tudo Começou com o Proálcool, criado em 14 de dezembro de 1975, seu objetivo era principalmente diminuir a dependência externa de energia. Apesar de dificuldades enfrentadas desde sua criação, o Programa Nacional do Álcool ofereceu inegáveis benefícios econômicos e ambientais – estima-se, por exemplo, que 700 mil pessoas estejam hoje ocupadas na cultura da cana-de-açúcar em 50 mil estabelecimentos agrícolas e na produção de álcool e açúcar em 350 unidades industriais.
.- Qual o real interesse dos EUA com essa visita?
Mesmo previsões mais otimistas indicam que produção mundial de petróleo deve atingir seu pico em menos de 20 anos, causando uma crise de escassez, elevando o seu preço.
Os Estados Unidos são os maiores consumidores desse combustível sua dependência é enorme e estrategicamente não possui grandes reservas em seu território.
Por causa do petróleo, o governo americano invadiu o Iraque, derrubou o seu regime de governo, matou o seu presidente e deixou o país em um completo caos. Tudo isso, protegidos pela desculpa de que o Iraque possuía armas químicas de destruição em massa que até hoje não foram achadas.
É por causa do petróleo, também, que o Iran está sob uma iminente ameaça de ataque pelo governo americano. Desta vez a desculpa é que o Iran não suspendeu seus projetos para o enriquecimento de urânio. A Coréia do Norte também não suspendeu suas pesquisas nucleares e porque os EUA não ameaçam invadi-la? Simplesmente porque no Iran tem mais recursos energéticos a serem explorados.
O Brasil atualmente é um grande destaque na tecnologia da produção do álcool etanol e combustíveis “limpos” como o biodiesel. O álcool brasileiro é mais barato do que o produzido nos Estados Unidos. Neste Fórum Bicombustível os principais pontos acordados e assinados entre o presidente Lula e Bush foram:
1 - Um acordo de colaboração para compartilhar tecnologia para a produção de bicombustíveis.
2 - Promover a produção deste combustível em países da América Central e do Caribe, para responder à crescente demanda mundial desta fonte de energia alternativa ao petróleo.
3 - (o ponto que mais interessava ao Brasil) A revisão da taxa de importação do álcool brasileiro. Os Famosos subsídios sobre os produtos importados pelos Estados Unidos, os quais, Bush afirmou categoricamente que não abriria mão.
Contudo, nosso presidente não poderia de esquecer de deixar a sua pérola: “é preciso encontrar o ponto G para chegar a um acordo sobre a tarifa do álcool”.
O que o Brasil ganhou com esse acordo? Estamos comprometidos a passar toda uma tecnologia de ponta, sem sequer uma garantia de melhores condições de venda da nossa produção. Estamos abrindo mão de anos de estudo por nada? O que dizer aos milhares de estudantes, professores e pesquisadores que passaram dias e noites, com condições mínimas de trabalhos em universidades sucateadas e sem incentivo financeiro? É assim que recompensamos nossos gênios?
Não Tenho nada contra a socialização do conhecimento tecnológico, mas convenhamos, quando se faz um acordo de cooperação, ambos os lados têm que ganhar.
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(Texto de André Alves de lima)
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Outros textos relacionados: "Criminosos democráticos"

sexta-feira, 9 de março de 2007

Light por favor!!!

Quando criança, achava que nunca iria parar de tomar refrigerante. Gostava de todos os tipos, mas preferia os de guaraná.
Possuía todo um ritual de apreciação, àquela maravilhosa bebida. Acho que João Paulo Martins, e todo o Clube da Quinta da Boa Vista, têm tamanha veneração por seus vinhos, quanto eu tinha de meus refrís.
Tudo começava com o tato, gostava de sentir o frio da garrafa bem gelada entre os dedos.
Depois a sensação era auditiva: um “tsssty” e a tampa se abria, deixando escapar o gás que fazia o refrigerante espumar enquanto o liquido tocava o copo. Tão rapidamente aquela espuma baixava começavam subir as bolhas que faziam daquela bebida um autentico Chandon Brut Reserve.
Para finalizar um generoso gole, onde cheiro e sabor entravam em perfeita sintonia, espalhando uma enorme satisfação da minha sede.
Não conseguia entender porque não substituíamos de vez a água pelo refrigerante.
É engraçado como as crianças conseguem resolver casos complexos com soluções inusitadas e com muito sentido para elas.
As melhores coisas da vida se resumiam em brinquedos, brincadeiras, um lanche bem caprichado à tarde e um domingo na praia com a família.
Nossa grande preocupação era - Como convenceríamos nossos pais de que aquele brinquedo novo era essencial para nossa alegria?
Com o passar do tempo vamos experimentando novos refrigerantes, um enorme leque de sabores se abre ao nosso redor. Descobrimos que a felicidade não está apenas em nossa satisfação particular, passamos a dividi-la com outras pessoas. Surge uma grande necessidade de socializarmos nossos desejos com amizades, amores e familiares.
Nossa grande preocupação, hoje, é - Como podemos fazer felizes as pessoas que amamos? Como encontrar tempo para fazermos as coisas que gostamos e ainda assim estudar e trabalhar arduamente?
Bom seria se conseguíssemos, como as crianças, soluções para os problemas de adultos.
Acho que por isso, fiquei viciado em Coca-Cola.
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(Texto de André Alves de lima)
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segunda-feira, 5 de março de 2007

Reproduzir Felicidade...

Eu quero uma vida empolgante, do Hi-Tec e das coisas simples. Quero uma boa conversa de bar entre amigos. Um bom debate de idéias: falar de economia, música e filosofia. Contemplar a beleza feminina que passa.
Sentir o Cheiro de mar numa praia tranqüila. Jogar uma partida de xadrez sem hora pra terminar.
– Desafinar?! As vezes faz bem. Sair da rotina revigora o corpo e a mente.
Ler um bom romance. Estudar sem obrigação, aprender japonês ou gastronomia. Apreciar um ACR Chardonnay 2003, comendo queijo árabe com especiarias ouvindo Radiohead ou MPB. Comer sushi a qualquer hora.
Ter a companhia dos amigos mais queridos, dos amores mais tranqüilos. Dormir tarde, não acordar cedo. Ficar vendo filmes de madrugada e assistir os melhores seriados em dvd, comendo pizza com refrigerante.
Saber o perfume daquela sua amiga de longe. Aquela que você nunca viu pessoalmente, mas, que te conhece muito bem. Convidá-la para sair. Ir ao teatro assistir uma boa peça. Passar horas em uma livraria folheando best-sellers.
Ser realizado pessoalmente. Trabalhar no que gosta. Viver de música e poesia encontrar arte na tecnologia, criar, produzir, reproduzir... felicidade!
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(Texto de André Alves de lima)
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Fuja da Prisão!

Ao sair do terminal de integração, na ultima quarta-feira, observei da janela do ônibus, uma parede grafitada com a seguinte frase: “Liberdade é apenas uma cela mais espaçosa”. Aquilo ficou martelando minha mente durante todo o percurso da viagem.
Da janela vi também inúmeras pessoas. Como sempre, o centro estava cheio neste dia, pessoas fazendo compras, trabalhando andando de um lado para o outro como se fossem pequenas formigas seguindo uma trilha que ao final do dia sempre as levam de volta ao formigueiro.
É intrigante pensar que na vida como uma prisão. A terra é um imenso planeta cheio de lugares, lindos, povos interessantes, pessoas apaixonantes. É incrível como grande parte das pessoas não conhecem nem o próprio estado em que vive.
A sociedade nos cobra em um ritmo acelerante. Desde pequenos ouvimos a professora da alfabetização nos perguntar o que vamos ser quando crescer, em que vamos trabalhar. Passamos metade do nosso tempo estudando a outra metade trabalhando muita vezes em funções que não queríamos.
- Somos Livres? – Não! Cabe a cada um buscar sua liberdade, por mais que o sistema capitalista nos mostre que querer não é poder, ainda assim temos uma escolha, a de não desistir fácil, de não acompanhar a onda e não ser apenas mais um na multidão. Vamos pensar diferente romper os paradigmas. Se ficarmos parados nosso destino já estará traçado, mas se levantamos, temos uma chance, ainda que pequena, mas uma chance, de mudar o que está escrito.
É como disse Laurence Fishburne em Matrix: “As pessoas te dizem apenas aquilo que você precisa ouvir... Há uma grande diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho”.
Robert T. Kiyosaki, em Pai Rico Pai Pobre, resume bem isso: "Todos receberam dois grandes dons: sua mente e seu tempo. Cabe a você fazer o que quiser com ambos... a escolha é sua e
apenas sua. A cada dia, a cada dólar, você decide ser rico, pobre ou classe média."
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(Texto de André Alves de lima)
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