"Não há maior tragédia do que a igual intensidade, na mesma alma ou no mesmo homem, do sentimento intelectual e do sentimento moral. Para que um homem possa ser distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido. Para que um homem possa ser absolutamente intelectual, tem que ser um pouco imoral. Não sei que jogo ou ironia das coisas condena o homem à impossibilidade desta dualidade em grande. Por meu mal, ela dá-se em mim. Assim, por ter duas virtudes, nunca pude fazer nada de mim. Não foi o excesso de uma qualidade, mas o excesso de duas, que me matou para a vida. "
(Fernando Pessoa)
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Se você fosse um intelectual, qual seria a sua maior ambição? Ser eleito para a academia de letras? Ser o mentor de uma grande descoberta científica? Tornar-se um insuperável gênio de uma ciência qualquer ou um filósofo com suas retóricas contundentes e capazes de deixar os medíocres questionando suas vidas até o fim? Como?! Você é um intelectual? Você não é um intelectual nem gostaria de ser? As perguntas que estou fazendo são completamente fora de propósito?! É, talvez não sejam estas as melhores questões para obtermos respostas que atendam às nossas reais expectativas. Será que a verdadeira nata da sabedoria conseguiria conviver com a mediocridade das perguntas do homem comum sem dar sinais de descontentamento? Será que ser nata significa corromper-se espontaneamente em algum momento da vida? Até que ponto as pessoas que estão nessa condição são intocáveis, supremas, et cetera e tal? Existe um pouco de fantasia e muito de realidade nisso tudo. A fantasia, por exemplo, está associada ao fato de transformarmos pessoas de carne e osso em mitos, às vezes respeitando-as como se fossem deuses. A realidade, que considero muito mais chocante, atribui-se a várias conseqüências advindas dessa relação anormal entre as pessoas mais bem dotadas intelectualmente e o cidadão comum, tais como o próprio preconceito e o distanciamento físico do primeiro em relação ao segundo. Por essas e outras é que devemos ficar, no mínimo, apreensivos, pois, na verdade, ninguém é inatingível.
